Soyuz MS-27 conclui missão de oito meses e traz astronautas da Rússia e dos EUA de volta à Terra

Depois de 245 dias em órbita, a cápsula Soyuz MS-27 pousou com segurança na fria estepe do Cazaquistão às 2h03, no horário de Brasília, encerrando uma permanência de oito meses na Estação Espacial Internacional (ISS). O retorno, realizado com paraquedas e propulsores de frenagem, levou novamente à Terra os cosmonautas russos Sergey Ryzhikov e Alexey Zubritsky, além do astronauta norte-americano Jonny Kim, todos em boas condições após a descida controlada.
- Descida controlada da Soyuz MS-27 na estepe cazaque
- Tripulação da Soyuz MS-27: quem são os viajantes que voltaram
- Atividades e resultados científicos da Expedição 73
- Transição para a Expedição 74 e continuidade das operações
- Logística pós-pouso: de Karaganda a centros de reabilitação
- Legado da Soyuz MS-27 na cronologia das missões russas
- Próximos lançamentos e marcos aguardados
Descida controlada da Soyuz MS-27 na estepe cazaque
A jornada de volta começou na segunda-feira, quando a espaçonave se desacoplou do módulo Prichal da ISS às 21h41. A separação marcou o encerramento oficial da Expedição 73, seguida da abertura da Expedição 74. Durante a descida, o módulo de reentrada enfrentou o atrito atmosférico, reduziu a velocidade com ajuda de paraquedas e acionou pequenos propulsores momentos antes do toque final no solo coberto de neve. Esse procedimento, padrão nas missões Soyuz, minimiza o impacto para a tripulação.
Equipes de resgate da Roscosmos e representantes da NASA chegaram rapidamente ao local. Os três ocupantes foram auxiliados a sair da cápsula ainda quente e acomodados em cadeiras para as avaliações médicas iniciais. Ryzhikov e Kim mostraram sinais de adaptação satisfatória à gravidade, enquanto Zubritsky passou por checagem detalhada em uma tenda inflável, sem identificação de complicações.
Tripulação da Soyuz MS-27: quem são os viajantes que voltaram
O comandante Sergey Ryzhikov, aos 51 anos, ultrapassou com esta viagem a marca de 600 dias acumulados no espaço, posição alcançada por poucas pessoas na história da exploração orbital. Alexey Zubritsky, de 33 anos, tornou-se o 630º ser humano a alcançar a órbita terrestre, enquanto Jonny Kim, de 41 anos, figura agora como o 631º. O trio foi lançado em novembro do ano passado e integrou-se imediatamente à rotina científica e operacional da ISS.
Ryzhikov já possuía experiência em duas expedições anteriores e liderou tanto atividades internas quanto caminhadas espaciais. Zubritsky fez sua estreia como cosmonauta, participando de experimentos e de dois passeios externos ao complexo orbital. Kim, médico e ex-militar, realizou investigações biomédicas e apoiou tarefas de manutenção.
Atividades e resultados científicos da Expedição 73
No período de oito meses, a equipe participou de centenas de experiências distribuídas entre biologia, física de fluidos, observação da Terra e testes de novas tecnologias. Entre os projetos destacados estavam demonstrações de dispositivos de reciclagem de água, estudos sobre comportamento de cristais de proteínas em microgravidade e ensaios de materiais metálicos expostos ao vácuo.
Além dos experimentos, o trio acompanhou chegadas e partidas de diversas naves de carga, incluindo as versões modernizadas Cygnus XL, da Northrop Grumman, e HTV-X, da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). Essas operações de logística asseguraram o abastecimento de suprimentos e a remoção de resíduos da estação.
As duas caminhadas espaciais realizadas por Ryzhikov e Zubritsky permitiram instalar novos experimentos externos, reposicionar equipamentos e ajustar um controlador relacionado ao Braço Robótico Europeu. Tais saídas demandaram horas de preparação, trajes pressurizados e coordenação constante com o controle em solo.
Transição para a Expedição 74 e continuidade das operações
Enquanto a Soyuz MS-27 iniciava o retorno, a nova equipe da Expedição 74 assumia integralmente os sistemas da ISS. O comando passou ao astronauta americano Mike Fincke, acompanhado pelos também norte-americanos Zena Cardman e Chris Williams, pelo japonês Kimiya Yui e pelos cosmonautas Oleg Platonov, Sergey Kud-Sverchkov e Sergey Mikaev. Três desses integrantes chegaram no fim de novembro em outro voo Soyuz, cujo lançamento provocou danos à plataforma de decolagem russa, sem interferência nos cronogramas seguintes.

Imagem: Roscosmos
A troca de comando, realizada tradicionalmente no interior do módulo Harmony, simboliza a continuidade ininterrupta da presença humana no laboratório orbital. Fincke destacou a importância da cooperação multinacional e da transferência de conhecimento entre tripulações para garantir a segurança e a eficiência dos sistemas a bordo.
Logística pós-pouso: de Karaganda a centros de reabilitação
Após os primeiros exames, Ryzhikov, Zubritsky e Kim embarcaram em helicópteros rumo à cidade de Karaganda, onde aguardavam equipes de apoio. A partir dali, as rotas divergiram conforme a agência de cada integrante. Kim seguiu em avião da NASA para Houston, no Texas, onde passará por avaliações médicas detalhadas e um programa de readaptação à gravidade terrestre. Os cosmonautas retornaram ao Centro de Treinamento de Cosmonautas Gagarin, próximo a Moscou, para procedimentos similares conduzidos pela Roscosmos.
O processo de reabilitação inclui exercícios de fisioterapia, monitoramento cardiovascular e acompanhamento nutricional. Durante semanas, os astronautas recuperam gradualmente densidade óssea e massa muscular perdidas em microgravidade. Exames neurológicos e vestibulares também auxiliam no ajuste do sistema de equilíbrio.
Legado da Soyuz MS-27 na cronologia das missões russas
Esta foi a 73ª espaçonave do modelo Soyuz dedicada à ISS e a 156ª da família Soyuz desde 1967, somando todas as variantes desde a original até as versões TMA-M. O sucesso do pouso reforça a confiabilidade do veículo, que permanece como principal meio russo de transporte tripulado.
Ao longo de décadas, a série Soyuz passou por atualizações estruturais, eletrônicas e de propulsão, mantendo a arquitetura básica de três módulos: orbital, de descida e de serviço. O design escalonado, aliado a redundâncias de sistemas, contribui para o índice de segurança demonstrado nas missões de longa duração.
Próximos lançamentos e marcos aguardados
Com o início da Expedição 74, a próxima rotação de tripulação está prevista para ocorrer dentro de aproximadamente seis meses, dependendo da logística dos lançamentos programados pela Roscosmos e pela NASA. Entre os eventos futuros, destaca-se a chegada de novas cápsulas de carga para reabastecimento, bem como a instalação de experimentos planejados para avaliar a viabilidade de culturas vegetais em microgravidade prolongada.
Até lá, a Expedição 74 dará sequência aos testes científicos, à manutenção dos sistemas da estação e à preparação para caminhadas espaciais previstas no cronograma técnico.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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