Telescópio Espacial Hubble pode reentrar na atmosfera em 2033, indica estudo da NASA

Telescópio Espacial Hubble pode reentrar na atmosfera em 2033, indica estudo da NASA

O Telescópio Espacial Hubble, ícone científico que há mais de 30 anos orbita a Terra, caminha para uma reentrada não controlada na atmosfera terrestre. Um estudo técnico encomendado pela NASA projeta que o retorno ocorrerá provavelmente em 2033, com possibilidade de antecipação para 2029, e aponta riscos de destroços superiores aos limites de segurança adotados pela própria agência espacial.

Índice

Telescópio Espacial Hubble: três décadas de legado científico

Lançado em 1990, o Telescópio Espacial Hubble foi concebido para observar o cosmos a partir de fora da atmosfera terrestre, evitando a distorção causada pelo ar. Durante sua operação, o observatório contribuiu para descobertas que reformularam a astronomia: confirmou a aceleração da expansão do universo, ofertou evidências da energia escura e refinou o cálculo da idade do cosmos para 13,8 bilhões de anos. Esses resultados foram viabilizados por longas campanhas de observação em comprimentos de onda que variam da luz visível ao ultravioleta, algo inalcançável para telescópios terrestres em igual precisão.

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Além de suas imagens icônicas de nebulosas, galáxias e aglomerados, o Hubble funcionou como um laboratório de calibração para missões posteriores. Dados coletados por ele elevaram padrões de medição de distância cósmica e serviram de base para modelos cosmológicos hoje consolidados. Portanto, mesmo rumo ao fim de sua vida útil, o equipamento permanece operando como referência de observação espacial.

Como o fim dos ônibus espaciais afetou o Telescópio Espacial Hubble

A longevidade do telescópio foi garantida por cinco missões de manutenção executadas pelos ônibus espaciais norte-americanos entre 1993 e 2009. Cada visita substituiu instrumentos, reparou componentes e, principalmente, impulsionou o Hubble para órbitas mais altas. Esses reposicionamentos compensavam o arrasto atmosférico e prolongavam a estadia do observatório no espaço.

Com a aposentadoria da frota de ônibus espaciais em 2011, a NASA perdeu a capacidade logística de realizar novas manutenções tripuladas. Consequentemente, o plano original de uma desativação controlada, que exigia acoplamento de um módulo de propulsão, foi abandonado. Desde então, o Hubble está sujeito exclusivamente ao atrito residual das camadas superiores da atmosfera, fator que reduz sua altitude orbital de forma gradual.

Estudo da NASA projeta reentrada do Telescópio Espacial Hubble

Para estimar a progressão do decaimento orbital, a NASA encomendou um estudo técnico, divulgado em seu servidor de relatórios. O documento modelou diferentes cenários de reentrada, considerando variações de atividade solar que ampliam ou reduzem o arrasto atmosférico sobre objetos em órbita baixa. O resultado central aponta 2033 como data mais provável para o retorno do telescópio, ainda que um cenário pessimista indique a possibilidade de reentrada em 2029.

No momento do contato com camadas mais densas da atmosfera, a estrutura de 11 toneladas deve se romper e liberar uma faixa de destroços estimada entre 350 e 800 quilômetros ao longo da trajetória final. Como se trata de reentrada não controlada, a localização exata da queda dependerá de fatores dinâmicos que só poderão ser refinados nas semanas ou dias precedentes ao evento.

Risco de destroços do Telescópio Espacial Hubble sobre a população

A parte mais sensível do relatório concentra-se na avaliação de risco para populações em solo. A probabilidade média de que algum fragmento cause vítimas foi calculada em 1 para cada 330 reentradas semelhantes, valor considerado elevado no contexto de políticas espaciais. Para o Pacífico Sul, região remota tradicionalmente escolhida como cemitério de satélites, o risco despenca para 1 em 31.000, graças à baixa densidade demográfica.

Em contraste, o estudo simulou quedas em áreas de alta concentração populacional, como Macau, Hong Kong e Singapura. Nessas hipóteses, projeta-se a possibilidade de uma a quatro fatalidades, dependendo do número de fragmentos que resistam ao calor de reentrada. São cenários estatisticamente improváveis, mas não descartáveis, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo do decaimento orbital.

Padrões de segurança questionados pela própria NASA

A NASA adota como referência um limite máximo de 1 chance em 10.000 de que destroços causem vítimas em solo. Esse parâmetro, estabelecido para minimizar riscos ao público, é ultrapassado pelo valor de 1 em 330 atribuído ao Telescópio Espacial Hubble. Segundo o relatório, tal discrepância torna a situação “tecnicamente inaceitável” sob as normas atuais da agência.

O documento sublinha que o Hubble difere de satélites convencionais não apenas pelo tamanho, mas também pela composição estrutural, que inclui espelhos, berços metálicos e cilindros de instrumentos capazes de resistir parcialmente ao superaquecimento. Fragmentos remanescentes, ao atingirem velocidades terminais, podem ainda conservar energia suficiente para danificar estruturas no solo ou ferir pessoas, sobretudo em centros urbanos densos.

Próximos passos sugeridos para o Telescópio Espacial Hubble

Embora não apresente plano de desvio, o estudo recomenda aprofundar análises que incluam dois conjuntos de dados. O primeiro envolve projeções mais refinadas da atividade solar, um dos fatores que mais interferem no arrasto atmosférico e, portanto, na previsão de reentrada. O segundo abrange mapas de densidade populacional estimados para a década de 2030, contemplando o crescimento urbano e possíveis mudanças em áreas costeiras.

Além disso, o relatório sugere manter o acompanhamento técnico dos sistemas restantes do telescópio. Atualmente, o Hubble opera com apenas um giroscópio funcional, componente essencial para apontamento de seus instrumentos. A situação, embora gerenciável, exige modo de observação reduzido e poderá influenciar o cronograma de operações científicas até a desativação final.

Com base nesses dados, o ano de 2033 passou a ser o marco de referência mais aceito para a reentrada do Telescópio Espacial Hubble, data que orientará revisões periódicas de risco e eventuais decisões sobre intervenção futura.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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