Tornado em São José dos Pinhais alcança 180 km/h, recebe categoria F2 e deixa 350 casas danificadas

Tornado em São José dos Pinhais foi confirmado no sábado (10) com velocidade estimada em 180 km/h, classificação F2 na Escala Fujita e percurso aproximado de 1 km, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
- Trajetória e intensidade do tornado em São José dos Pinhais
- Danos registrados após o tornado em São José dos Pinhais
- Condições meteorológicas que favoreceram o tornado em São José dos Pinhais
- Entenda a classificação F2 na Escala Fujita
- Desdobramentos no domingo e alerta para novas tempestades
- Como funciona a avaliação de tornados pelas autoridades
Trajetória e intensidade do tornado em São José dos Pinhais
O fenômeno de pequena extensão horizontal ganhou força no início da noite de sábado (10). De acordo com medições do Simepar, o funil manteve contato intermitente com o solo ao longo de cerca de um quilômetro. Mesmo com largura relativamente estreita, a intensidade dos ventos situou-se no limite inferior da categoria F2, que abrange velocidades entre 180 km/h e 220 km/h.
Antes de chegar a São José dos Pinhais, a célula de tempestade que originou o tornado formou-se sobre Almirante Tamandaré e Colombo no final da tarde. Em seguida, atravessou Curitiba, onde foram registrados ventos próximos de 70 km/h e queda de granizo. Nessa etapa, houve derrubada de 57 árvores na capital paranaense. A partir daí, o núcleo seguiu rumo sudeste, alcançando São José dos Pinhais e, posteriormente, avançando até o Litoral, ocasionando chuvas fortes em Guaratuba e Matinhos.
Danos registrados após o tornado em São José dos Pinhais
No município, os impactos concentraram-se no bairro Guatupê. A Defesa Civil Estadual contabilizou 350 residências afetadas, principalmente por destelhamentos e danos estruturais. Houve ainda colapso de muros, queda de pilares de uma empresa e múltiplos episódios de interrupção no fornecimento de energia devido à derrubada de postes e árvores.
Embora o rastro de destruição tenha sido pontual, duas famílias ficaram desalojadas e precisaram de acolhimento emergencial. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil distribuíram 92 lonas para proteger imóveis expostos à chuva. A prefeitura local enviou técnicos para vistoriar edificações e avaliar riscos iminentes, determinando eventuais interdições preventivas.
Condições meteorológicas que favoreceram o tornado em São José dos Pinhais
A instabilidade atmosférica de sábado resultou da combinação clássica de calor, umidade e um sistema de baixa pressão. Este sistema formou-se entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, deslocou-se rapidamente para o oceano e alterou o padrão de ventos em altitude sobre o Paraná. O gradiente térmico, somado ao aporte de umidade, promoveu convecção intensa e formação de nuvens cumulonimbus.
Outro fator de reforço foi a presença de um ciclone extratropical atuando entre o Uruguai e o estado gaúcho. Embora o ciclone não tenha atravessado o Paraná, sua circulação contribuiu para cisalhamento vertical de vento, elemento primordial para a organização de supercélulas e eventual desenvolvimento de tornados.
Meteorologistas do Simepar observam que, em cenários de verão, a presença simultânea de calor e umidade favorece tempestades rápidas no período da tarde. Quando índices de instabilidade encontram condições de cisalhamento adequadas, a rotação dentro das nuvens pode evoluir para a formação de funis, como ocorreu desta vez.
Entenda a classificação F2 na Escala Fujita
A Escala Fujita, adotada oficialmente no Brasil, classifica tornados de F0 a F5 com base na avaliação dos danos. Em um evento F2, os ventos variam de 180 km/h a 253 km/h e produzem efeitos considerados “consideráveis”, como destruição parcial de telhados, derrubada de árvores de médio porte, deslocamento de veículos leves e destruição de estruturas frágeis.
No caso do tornado em São José dos Pinhais, a análise de campo identificou padrões compatíveis com essa intensidade: muros desabados, pilares comprometidos e árvores arrancadas. O meteorologista Leonardo Furlan, do Simepar, enfatizou que a largura reduzida do funil não diminuiu a violência dos ventos nos instantes de contato com o solo, explicando o caráter pontual dos estragos.

Imagem: Simepar
Além da categorização, a escala fornece diretrizes para estimar velocidades a partir da inspeção visual de danos. Especialistas comparam deformações em edificações, galpões, postes e vegetação para inferir, com precisão razoável, a força máxima do vento durante ao menos três segundos consecutivos.
Desdobramentos no domingo e alerta para novas tempestades
No domingo (11), a área de baixa pressão avançou sobre o Atlântico, mas manteve elevados índices de instabilidade em todo o Leste paranaense. A previsão indicou continuidade de tempestades acompanhadas de raios, rajadas de vento e precipitação intensa. Autoridades reforçaram orientações à população para evitar áreas abertas, desligar aparelhos eletrônicos durante descargas elétricas e não buscar abrigo sob árvores.
O Simepar alertou que a persistência de calor e umidade poderia gerar novos núcleos convectivos ao longo da tarde. Embora a chance de um novo tornado em São José dos Pinhais fosse considerada baixa, a atmosfera permanecia propícia a ventos fortes e granizo, exigindo monitoramento constante.
Como funciona a avaliação de tornados pelas autoridades
A verificação oficial do fenômeno se baseia em três etapas: análise de radar, testemunho local e vistoria de danos. Inicialmente, imagens de radar meteorológico apontam assinatura de rotação; em seguida, relatos da comunidade confirmam a presença de funil e, por fim, peritos inspecionam a área, mapeando o rastro deixado no solo.
No caso paranaense, técnicos do Simepar e da Defesa Civil percorreram o trajeto de aproximadamente 1 km. A intensidade dos danos, aliada à estimativa de 180 km/h, sustentou a classificação final F2. O procedimento segue metodologia empregada pelo Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos, que também estabelece valores de vento correspondentes a cada categoria da Escala Fujita:
F0: 65 km/h a 116 km/h – danos leves.
F1: 116 km/h a 180 km/h – danos moderados.
F2: 180 km/h a 253 km/h – danos consideráveis.
F3: 253 km/h a 332 km/h – danos severos.
F4: 332 km/h a 418 km/h – danos devastadores.
F5: 418 km/h a 511 km/h – destruição extrema.
Ao concluir o levantamento, os especialistas entregam laudo técnico que subsidia medidas de defesa civil, autoriza liberação de auxílios a atingidos e orienta ações de reconstrução.
A Defesa Civil de São José dos Pinhais mantém equipes de plantão para seguir vistoriando residências e estruturas comprometidas nos próximos dias, enquanto o Simepar continua monitorando as condições atmosféricas que podem originar novos episódios de tempo severo no Leste do Paraná.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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