Chace Crawford detalha desafios pós-Gossip Girl e reinvenção em The Boys

Chace Crawford voltou a falar publicamente sobre o período de incertezas que viveu após o fim de “Gossip Girl”, série que o projetou mundialmente entre 2007 e 2012. Em conversa recente no podcast “Good Guys” — conduzido por Josh Peck e Ben Soffer — o ator descreveu o intervalo entre a produção da CW e a chegada a “The Boys”, da Prime Video, como um momento de busca por identidade profissional, marcado por rótulos que, segundo ele, limitavam novas oportunidades.
- As origens do fenômeno teen e o papel de Nate Archibald
- “Jail of the CW”: o sentimento de estagnação pós-série
- Participações, tentativas e um drama de curta duração
- Relutância em revisitar o passado na tela
- A guinada definitiva com “The Boys”
- A repercussão da versatilidade e a exposição em serviços de streaming
- O ciclo entre gratidão e reinvenção
As origens do fenômeno teen e o papel de Nate Archibald
A trajetória de Crawford nos holofotes começou com o personagem Nate Archibald, estudante rico de Manhattan que atravessa seis temporadas de intrigas entre elite juvenil. Exibido pela CW, o seriado se consolidou como um marco da cultura pop e alavancou a visibilidade de todo o elenco. No entanto, o êxito da produção trouxe um efeito colateral: a associação imediata do ator ao arquétipo de galã adolescente, nem sempre valorizado por diretores em busca de interpretações mais complexas.
“Jail of the CW”: o sentimento de estagnação pós-série
Durante o bate-papo no “Good Guys”, Crawford relatou ter se sentido em um “deserto profissional” nos anos subsequentes à despedida de Nate. Segundo ele, apesar da popularidade de “Gossip Girl”, a condição de estrela jovem deixava a impressão de que o trabalho anterior já não era “cool” e, ao mesmo tempo, criava a imagem do “bonito da CW sem alcance dramático”. Essa percepção, apontou, dificultava audições para projetos que exigiam registros distintos do universo adolescente.
O ator acrescentou que, logo após o término da série, enfrentou cerca de quatro anos marcados por testes, pilotos de televisão que não avançaram e a sensação de começar e interromper trajetórias antes que ganhassem tração. Crawford frisou não nutrir ingratidão pela obra que o lançou, mas admitiu reconhecer, com o tempo, que parte da experiência havia sido vivida tão intensamente na juventude que alguns aprendizados só se tornaram claros posteriormente.
Participações, tentativas e um drama de curta duração
Entre 2012 e 2018, Crawford participou de produções diversas na tentativa de quebrar o estigma. Ele apareceu em episódios pontuais de “Glee” e “Casual”, séries de tons bem diferentes daquele que o celebrizou, e assumiu protagonismo em “Blood & Oil”, drama da ABC focado na corrida pelo petróleo. A atração, porém, foi cancelada rapidamente, reforçando a sequência de projetos que não tiveram continuidade duradoura — experiência que o próprio ator descreveu como “falsos começos”.
Esses trabalhos, embora não tenham atingido a repercussão esperada, funcionaram como vitrine para mostrar disposição em diversificar papéis. Ainda assim, a lacuna entre o reconhecido Nate Archibald e personagens de maior complexidade dramática permaneceu evidente aos olhos de parte da indústria.
Relutância em revisitar o passado na tela
O vínculo emocional de Crawford com “Gossip Girl” segue ambíguo. Em entrevista à revista People, em junho de 2025, ele classificou a série como “campy” — expressão que descreve produções de tom exagerado ou estilizado —, ao mesmo tempo em que reconheceu o valor histórico do programa por anteceder, por exemplo, a explosão das redes sociais. O ator contou que seus pais costumam rever o episódio piloto, mas confessou que evita revisitar qualquer capítulo, por temer estranhar a própria performance e sentir constrangimento.
A postura não é inédita. Em 2020, no formato Actors on Actors da Variety, Penn Badgley — colega de elenco na produção da CW — perguntou se Crawford revia a série. A resposta foi negativa e bem-humorada: seria necessário, brincou, ser obrigado a assistir como no clássico “Laranja Mecânica”. Apesar da resistência, ele admitiu que poderia encarar os primeiros episódios num encontro descontraído, algo que ainda não aconteceu.
A guinada definitiva com “The Boys”
O ponto de inflexão surgiu em 2019, quando o ator passou a integrar o elenco de “The Boys”, adaptação do quadrinho criado por Garth Ennis e Darick Robertson, desenvolvida para a televisão por Eric Kripke. Na trama, super-heróis são celebridades corporativas, muitas vezes corruptas e violentas. Crawford interpreta Kevin Kohler, figura pública conhecida como The Deep.
Imagem: Internet
Diferentemente de heróis tradicionais, The Deep não possui poderes genuínos que justifiquem sua fama: ele depende de um traje aquático avançado e do suporte da empresa Vought para sustentar a imagem de defensor dos mares, embora consiga se comunicar com animais marinhos. Ao longo do enredo, o personagem protagoniza situações perturbadoras, ganhando notoriedade por uma das sequências mais chocantes da série.
Crawford revelou, no “Good Guys”, que receber o convite para “The Boys” trouxe alívio e entusiasmo, pois se tratava de alguém diametralmente oposto a Nate Archibald — ao mesmo tempo cômico, problemático e, por vezes, repulsivo. Para o ator, a oportunidade demonstrou ao público e a potenciais contratantes que seus recursos dramáticos vão além do perfil de estudante privilegiado retratado na juventude.
A repercussão da versatilidade e a exposição em serviços de streaming
Com exibição exclusiva na Prime Video, “The Boys” conquistou críticas positivas justamente por subverter clichês de super-heróis. A presença de Crawford em cenas de humor ácido e violência gráfica ajudou a reforçar sua capacidade de transitar entre gêneros e tons dramáticos diversos. O reconhecimento se estendeu também a “Gen V”, série derivada em que o ator faz participações, proporcionando continuidade à história de The Deep.
Enquanto isso, “Gossip Girl” permanece disponível em plataformas como HBO Max e Netflix, possibilitando que novas gerações conheçam a série que colocou Crawford no radar da cultura pop. A coexistência dos dois títulos em catálogos distintos evidencia a diferença de fases da carreira: a primeira marcada por tramas adolescentes glamourosas; a segunda, por narrativas adultas, sombrias e satíricas.
O ciclo entre gratidão e reinvenção
Ao relembrar o passado e observar o presente, Crawford descreve um percurso que integra reconhecimento pelo papel que o revelou e consciência de que o mesmo sucesso gerou barreiras inesperadas. A recepção calorosa de “The Boys” sinaliza, para ele, a aceitação de que a trajetória pode ser redefinida mesmo após forte associação a um personagem icônico.
Hoje, ao comentar sobre os anos de “wilderness”, o ator reafirma que não existia ressentimento em relação a “Gossip Girl”, mas sim a percepção de que a indústria tende a cristalizar imagens de jovens intérpretes. A quebra desse ciclo, enfim, veio com um personagem que não apenas exige registro diferente, mas satiriza a própria ideia de celebridade heroica — ponto de encontro onde Crawford encontrou espaço para reconstruir sua reputação artística.
Com essa virada, a narrativa profissional do ator passa a incluir não apenas o glamour adolescente da Quinta Avenida, mas também os corredores sombrios da corporação fictícia Vought. Ao reunir duas fases contrastantes, sua filmografia ilustra o desafio e a possibilidade de reinvenção que acompanham quem alcança fama cedo em um mercado rápido em rotular e, muitas vezes, lento em reconhecer transformações.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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