Volta ao mundo a pedal: ciclista britânico prepara travessia de 80 mil km em trimarã e bicicleta

Volta ao mundo a pedal impulsiona o plano ambicioso do ciclista britânico Paul Spencer, que pretende iniciar em 2027, a partir do Colorado, uma circunavegação inteiramente movida pela própria força física, combinando pedaladas em terra firme e travessias oceânicas dentro de um trimarã desenvolvido para propulsionar-se por pedais.

Índice

Preparativos para a volta ao mundo a pedal

O projeto nasce da intenção de quebrar um recorde ainda pouco disputado: a circunavegação humana mais rápida já registrada, atualmente superior a cinco anos. Spencer estabeleceu como meta concluir a jornada em cerca de três anos, um corte significativo no tempo oficial vigente de cinco anos e onze dias. A largada está programada para o início de 2027, depois de um adiamento de seis anos decorrente das restrições sanitárias impostas pela pandemia global. Durante esse intervalo, o atleta concentrou-se em aprimorar o equipamento, revisar rotas e captar os recursos necessários para o empreendimento.

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Os preparativos abrangem questões logísticas, treinamento físico e adequações tecnológicas. Spencer vive no Colorado, onde atua como instrutor de esqui e construtor de casas. Lá, ele organiza sessões diárias de condicionamento voltadas a simular o esforço contínuo de pedalar, seja sobre pneus, seja no ambiente confinado do barco. Paralelamente, trabalha com patrocinadores e doadores para financiar a construção de módulos de comunicação por satélite, aquisição de painéis solares sob medida e o transporte intercontinental do trimarã.

O percurso planejado e o desafio dos 80 467 quilômetros

Para cumprir as regras autoimpostas de não recorrer a meios motorizados nem transporte aéreo, Spencer elaborou um trajeto misto. O roteiro total, estimado em 80 467 quilômetros, será dividido em duas grandes tipologias de deslocamento: aproximadamente 64 374 quilômetros ocorrerão sobre a bicicleta, enquanto os 16 093 quilômetros restantes serão navegados no Pedal Beast, nome dado ao trimarã a pedal. Em cada mudança de ambiente — da terra para o mar ou vice-versa —, o barco será conduzido em um contêiner de 12,2 metros até o porto designado, evitando atalhos e garantindo a continuidade do deslocamento exclusivamente humano.

Começando no interior dos Estados Unidos, o ciclista vai atravessar estradas do continente norte-americano até alcançar a costa. Em seguida, embarcará para o primeiro trecho oceânico, repetindo a lógica de alternar bicicleta e embarcação em diferentes pontos geográficos. A escolha de portos e estradas procura equilibrar clima, correntezas e condições políticas, reduzindo riscos de paralisações inesperadas.

Pedal Beast: o coração da volta ao mundo a pedal

A travessia marítima depende de uma embarcação incomum. O Pedal Beast é um trimarã de fibra de carbono com 11,6 metros de comprimento. Originalmente batizado de Tasman Rower, foi criado em 2012 pela neozelandesa LOMOcean Marine Ltd e construído pelo estaleiro Pachoud Yachts para servir como barco a remo. Spencer adquiriu o casco em 2019 e deu início a um processo de transformação que incorporou um sistema de transmissão por pedais acoplado a hélices, substituindo remos pelo movimento contínuo de pernas.

A eficiência energética foi a grande motivação por trás da mudança. De acordo com os testes de engenharia citados pelo designer Craig Loomes, o ciclo de pedalar apresenta menor desperdício de força em comparação ao ato de remar, que alterna tração e recuperação em cada puxada. A pedalada garante torque uniforme, elimina o arrasto aéreo das pás fora d’água e permite que o atleta mantenha cadência regular mesmo em mar aberto. Para potencializar o conjunto, a embarcação recebeu painéis solares capazes de abastecer a eletrônica essencial, como GPS, rádio VHF, sistema de navegação por satélite e iluminação de segurança.

Outras modificações relevantes incluem a instalação de painéis laterais vedados com janelas, conferindo maior proteção contra ondas, e a criação de um leme retrátil na proa, que aumenta a capacidade de manter rumo estável em longas distâncias. Um assento reclinável personalizado favorece postura ergonômica e distribuição de peso, condição vital para suportar a jornada estimada de até 16 093 quilômetros sobre a água. Em caso de emergência, um bote salva-vidas independente acompanha o trimarã.

Histórico de conquistas de Paul Spencer alimenta a volta ao mundo a pedal

A busca por desafios extremos não começou agora. Em 2009, Spencer aceitou uma aposta para percorrer o trajeto Land’s End–John O’Groats, clássico da Grã-Bretanha, inferior a mil e quinhentos quilômetros, em menos de sete dias. Completou o objetivo em quatro. O resultado abriu portas para expedições subsequentes pela Europa, América do Norte e África, experiências que lhe renderam três títulos registrados no Guinness World Records em provas de resistência sobre rodas.

Entretanto, nenhuma dessas conquistas exigiu a combinação de ambientes terrestres e oceânicos. Ao estudar o recorde oficial de volta ao mundo de bicicleta, Spencer percebeu que as regras permitiam voos comerciais para transpor oceanos, o que, em seu entendimento, contradizia o conceito de pedalada integral. A frustração se converteu em motivação: se não era viável pedalar um quadro de bicicleta sobre a água, por que não empregar outro dispositivo movido a pernas? A resposta ganhou forma no Pedal Beast e no planejamento minucioso que o acompanha.

Componentes filantrópicos e cronograma até 2027

Mais do que superar marcas, a expedição também tem caráter beneficente. Spencer pretende utilizar a exposição global do projeto para arrecadar doações à Lupus Foundation, instituição dedicada ao apoio de pessoas com lúpus e à pesquisa sobre a doença autoimune. Toda a comunicação oficial da jornada, das redes sociais às entrevistas, trará links e QR codes direcionados à fundação, maximizando a visibilidade do tema ao longo dos três anos previstos de trajeto.

Até a data de partida, o ciclista organiza campanhas intermediárias para captar recursos. A principal delas envolve uma travessia do mar da Tasmânia, entre a Austrália e a Nova Zelândia, usando exatamente o Pedal Beast. O teste servirá simultaneamente para aferir desempenho técnico e para estimular doações ao fundo de custeio humanitário. Conforme o cronograma, a conclusão desse ensaio oceânico antecederá por cerca de um ano a largada oficial da volta ao mundo.

Superar o recorde e monitorar cada etapa

Se completar o percurso aproximado de 80 467 quilômetros em três anos, Spencer estabelecerá novo referencial de velocidade para circunavegação exclusivamente humana. A validação dependerá de rastreamento constante via satélite, registro de diários de bordo e auditoria de testemunhas em portos selecionados. Ao longo do trajeto, serão medidos tempos parciais, distâncias acumuladas e detalhes de manutenção do equipamento, dados que, juntos, alimentarão o dossiê submetido às entidades homologadoras.

A diferença de quase três anos entre a meta proposta e o recorde atual exige constância diária. Em termos práticos, o britânico precisará manter média global de cerca de 73 quilômetros por dia, incluindo dias em alto-mar, paradas para manutenção, clima adverso e pausas obrigatórias para sono. Qualquer atraso significativo poderá comprometer a marca pretendida, tornando crucial o alinhamento de logística de portos, transporte terrestre do trimarã e disponibilidade de suprimentos.

Com o início da empreitada confirmado para o início de 2027, no Colorado, todas as atenções se voltam à próxima etapa preparatória: a travessia do mar da Tasmânia, que servirá como prova definitiva do Pedal Beast antes da largada mundial.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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