Setor produtivo questiona impacto da Selic em 15% e pressiona Copom por corte de juros

A manutenção da Selic em 15% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira, gerou críticas de diferentes segmentos do setor produtivo, que atribuem aos juros elevados a desaceleração do crescimento, a restrição do crédito e a diminuição do emprego.
- Selic em 15%: decisão do Copom e contexto
- Como o setor industrial avalia a Selic em 15%
- Impacto da Selic em 15% sobre a construção civil
- Reação do comércio e análise da ACSP frente à Selic em 15%
- Centrais sindicais e a crítica social aos juros de 15%
- Indicadores de inflação e diferença para a taxa neutra
- Próximos passos: expectativa para a próxima reunião do Copom
Selic em 15%: decisão do Copom e contexto
O Copom optou por conservar a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, mantendo o índice no maior patamar desde 2006. A escolha reflete, segundo analistas de mercado, a combinação de inflação ainda acima da meta, incertezas fiscais e riscos externos. Entretanto, para representantes da indústria, da construção civil e de entidades sindicais, a continuidade desse nível de juros gera custos significativos para a economia real.
Na avaliação desses grupos, o cenário de desaceleração já é perceptível e exige resposta imediata. Eles argumentam que, mesmo com expectativas de inflação em trajetória de queda, o Banco Central preferiu esperar sinais adicionais antes de iniciar um ciclo de cortes. O impasse entre cautela monetária e necessidade de estímulo passou a ser o centro do debate após o anúncio.
Como o setor industrial avalia a Selic em 15%
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera que o atual nível dos juros impõe um “custo elevado” à produção. De acordo com a entidade, a inflação corrente e as projeções para os próximos anos convergem para o centro da meta, o que justificaria uma flexibilização monetária. O presidente da organização, Ricardo Alban, argumenta que a postura do Copom “prejudica a economia e aprofunda a desaceleração do crescimento”.
A CNI destaca, ainda, que a taxa real de juros segue em torno de 10,5% ao ano, aproximadamente 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central. Para o setor industrial, esse diferencial encarece investimentos, reduz a competitividade e posterga planos de expansão, afetando diretamente a geração de empregos e a arrecadação tributária.
Impacto da Selic em 15% sobre a construção civil
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, afirma que juros elevados reduzem a oferta de crédito imobiliário, desestimulam novos lançamentos e tornam mais complexa a viabilização de projetos de infraestrutura. A construção civil, cuja cadeia produtiva envolve materiais, serviços e mão de obra intensiva, sente efeitos amplificados quando as condições de financiamento se tornam restritivas.
Segundo a CBIC, uma política monetária contracionista não apenas diminui a demanda por habitação como também gera reflexos prolongados sobre emprego e renda ao longo de toda a cadeia. A entidade teme que a permanência da Selic em 15% prolongue a fase de desaceleração e inviabilize contratações previstas para o setor.
Reação do comércio e análise da ACSP frente à Selic em 15%
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) apresentou posicionamento mais moderado. Para o economista da entidade, Ulisses Ruiz de Gamboa, a decisão do Copom demonstra cautela diante de incertezas fiscais e do ambiente externo. Mesmo reconhecendo a desaceleração da atividade, ele pondera que inflação e expectativas ainda se encontram acima da meta, o que justificaria prudência.
A ACSP aguarda, contudo, o comunicado detalhado do Copom para verificar possíveis sinais de início de cortes futuros. Na leitura da associação, indicações claras nesse sentido podem reduzir a insegurança de empresários e consumidores, influenciando positivamente a confiança e, por consequência, o volume de vendas.
Imagem: Internet
Entre as centrais sindicais, a resposta foi mais contundente. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) ressalta que a manutenção da Selic coloca o Brasil no topo do ranking mundial de juros reais, prejudicando a população ao encarecer o crédito e reduzir o consumo. Para Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a consequência direta dessa política é a diminuição de vagas de trabalho.
A entidade também chama atenção para o impacto fiscal: cada ponto percentual da Selic acrescenta cerca de R$ 50 bilhões aos gastos públicos com juros da dívida. Essa despesa, segundo a CUT, limita a capacidade de investimento do Estado em áreas sociais.
A Força Sindical, por sua vez, classificou a decisão do Banco Central como “irresponsabilidade social”. O presidente da central, Miguel Torres, afirma que a política monetária atual restringe o crédito, eleva o endividamento das famílias e “trava o desenvolvimento econômico”, ao favorecer, em sua visão, movimentos puramente financeiros em detrimento da produção.
Indicadores de inflação e diferença para a taxa neutra
Ao explicar seus argumentos, a CNI apresentou dados recentes que reforçam a tese de espaço para cortes: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2025 em 4,26%, permanecendo abaixo do teto da meta de 4,5%. Já o Boletim Focus projeta inflação de 4% em 2026 e convergência gradual para 3% nos anos seguintes.
Mesmo com essa perspectiva de arrefecimento, a Selic em 15% mantém a taxa real de juros em torno de 10,5%. Esse patamar supera em 5,5 pontos percentuais a estimativa de taxa neutra—o nível que não acelera nem desacelera a economia. Na prática, o diferencial encarece linhas de crédito empresariais, financiamentos habitacionais e empréstimos pessoais, repercutindo sobre consumo e investimento.
Próximos passos: expectativa para a próxima reunião do Copom
Apesar das críticas, o Copom manteve a Selic em 15% alinhado à expectativa de grande parte do mercado financeiro. Para o setor produtivo, entretanto, o próximo encontro do colegiado torna-se decisivo: entidades como CNI e CBIC cobram que o Banco Central inicie o ciclo de flexibilização já na reunião seguinte, de modo a proteger o emprego e evitar maior desaceleração do PIB.
Até lá, continuará em pauta a relação entre inflação, cenário fiscal e riscos externos, fatores que o Copom diz monitorar continuamente. Setores industriais, construtores, comerciantes e trabalhadores, cada qual com seus indicadores de confiança, aguardam sinais mais claros que definam o rumo dos juros brasileiros nos próximos meses.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.
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