Previsões de décor para 2026 já delineiam uma guinada importante nas áreas sociais das casas. De acordo com três profissionais de referência—Alice Moszczynski, Kimberly Tosi e Kathy Kuo— determinados estilos que dominaram redes sociais e lojas ao longo da década perdem força rapidamente. Na lista estão seis tendências específicas que, segundo elas, comprometem a longevidade visual e a funcionalidade da sala de estar. O movimento de saída desses modismos anda lado a lado com a ascensão de propostas mais acolhedoras, ricas em textura e marcadas por combinações de cores capazes de transmitir personalidade.
Quem alerta para a mudança
As avaliações partem de Alice Moszczynski, designer de interiores vinculada à plataforma de projeto Planner 5D; Kimberly Tosi, responsável pelo estúdio Gather Home Design; e Kathy Kuo, fundadora da marca de mobiliário que leva seu nome. Cada profissional observa diariamente as escolhas dos consumidores, acompanha métricas de procura por produtos e participa de projetos residenciais que refletem ou rejeitam as modas do momento. Com base nessa vivência, elas identificam quais elementos visuais tendem a se tornar datados no curto prazo.
O que sai de cena e por quê
Os seis pontos listados a seguir resumem a avaliação do trio. Em comum, todos representam soluções estéticas que priorizaram impacto imediato—muitas vezes potencializado por fotos compartilháveis—em detrimento de durabilidade, equilíbrio e conforto.
1. Formas onduladas e recortadas em excesso
O fenômeno dos contornos “wavy” e “scalloped” atingiu mesas, sofás, almofadas e pequenos objetos de decoração. Embora a suavidade dessas curvas tenha causado furor visual nos feeds, o resultado é a rápida associação do mobiliário ao período em que surgiu. Para Kimberly Tosi, a principal fragilidade da micro-tendência é justamente essa datação instantânea: qualquer espaço que adote muitos recortes sinuosos denuncia seu ano de criação. A recomendação da designer, portanto, é moderar. Quem aprecia a estética pode reservar um único ponto focal com esse desenho, mantendo as demais peças em silhuetas retas ou curvas discretas, mais clássicas e atemporais.
2. Sofás “nuvem” superdimensionados
A imagem do sofá branco, extremamente macio e volumoso, tornou-se ícone de conforto nas redes sociais e impulsionou vendas de modelos seccionais amplos. Contudo, Alice Moszczynski observa que o formato avantajado tende a “engolir” salas menores, ocupando área além do necessário e transmitindo visual pesado. Segundo a profissional, o excesso de almofadas e o encosto baixo, característicos do desenho, podem ainda passar impressão desleixada. Para manter a atmosfera acolhedora sem comprometer circulação e proporção, ela sugere substituir o conjunto gigante por um sofá de linhas mais definidas, combinado a poltronas, mesas de apoio ou outras peças esculturais de porte menor.
3. Ambientes inteiramente bege ou brancos
Tanto o bege-sobre-bege quanto o domínio absoluto do branco foram exaltados como sinônimo de “quiet luxury”. Embora ambas as tonalidades permaneçam clássicas, as designers apontam desgaste quando usadas sozinhas. Moszczynski identifica sensação “plana” e pouco convidativa em composições sem contraste. A projeção para 2026 indica a permanência dos neutros apenas como pano de fundo, agora enriquecidos por matizes terrosos, como marrom-chocolate, verde-oliva, ferrugem e argila. Texturas, entre elas linho e veludo, garantem a profundidade visual que faltava aos cenários monocromáticos.
4. Minimalismo absoluto como única linguagem
Mobiliário rigorosamente linear, ausência de ornamentação e paleta restrita definiram o minimalismo extremo que marcou inúmeras salas contemporâneas. Kathy Kuo não descarta o valor das linhas modernas, mas enxerga limitação quando adotadas isoladamente. A expectativa para os próximos anos é a valorização de misturas equilibradas—peças minimalistas lado a lado com curvas suaves, detalhes tradicionais ou acabamentos mais quentes. O objetivo é quebrar a monotonia e criar ambientes dinâmicos sem abdicar da clareza formal.
Imagem: Liudmila Chernetska
5. Conjuntos de móveis totalmente coordenados
No passado recente, comprar sofá, poltronas, mesas laterais e aparador em série era considerado atalho para uma sala “pronta”. Aos olhos de Moszczynski, entretanto, esse método resulta em atmosfera engessada e sem identidade. A profissional sugere a prática do chamado “layering eclético”: integrar peças vintage com itens de produção atual, alternar madeira e metal, além de variar o grau de rigidez e suavidade nas silhuetas. O propósito é alcançar harmonia, não uniformidade, evitando a sensação de showroom montado.
6. Salas que funcionam apenas como vitrine
Por fim, o trio de especialistas refuta a ideia de que a sala de estar deva agir como ambiente de exibição impecável. Mesmo que a estética tenha peso, ela não deveria eclipsar conforto e usabilidade. O espaço, recordam as designers, serve para reunir familiares, receber visitas ou simplesmente relaxar. Projetos que subjugam ergonomia ou aconchego em favor de fotografias perfeitas dificilmente se sustentam na rotina diária. A tendência é priorizar mobiliário que equilibre beleza e funcionalidade, mantendo o caráter acolhedor que define esse cômodo.
Como a virada impacta escolhas de 2024 e 2025
Embora as mudanças sejam apontadas para 2026, o planejamento de intervenções começa muito antes. Quem pretende reformar ou comprar móveis nos próximos dois anos pode usar a lista de modismos em declínio como filtro. Evitar grandes investimentos em peças potencialmente datadas é estratégia que poupa recursos e confere contemporaneidade prolongada ao ambiente. Optar por paletas mais quentes, misturar estilos e focar no conforto estabelecem base sólida que atravessa modas passageiras.
O que fica em alta
Em contrapartida às tendências que saem, as profissionais projetam sala de estar calorosa, rica em tons terrosos e cheias de texturas convidativas. O mix equilibrado de linhas modernas e detalhes clássicos, o uso moderado de curvas, a substituição do “tudo combinando” por composições personalizadas e a reintrodução de cores profundas devem nortear projetos bem-sucedidos. Sobretudo, a ênfase recai sobre viver o ambiente, não apenas fotografá-lo.
Ao acompanhar essas orientações, moradores e profissionais garantem que os espaços sociais se mantenham atuais, confortáveis e alinhados às expectativas de design que ganham força à medida que 2026 se aproxima.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.
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